27/02/2017
31/05/2015
23/03/2015
Mito da caverna X Matrix
Paralelo oportuno para sala de aula.
Em 1999, o cinema americano produziu Matrix (The Matrix, EUA, 1999), um filme, originalmente subestimado, que arregimentou milhares de admiradores no mundo todo e logo se transformou em uma referência para outras produções cinematográficas.
Comparação entre o filme Matrix e a filosofia grega de Sócrates e Platão.
O filme praticamente começa com a pergunta o que é Matrix? Alguém aí se lembra do diálogo entre Trinity e Neo? Então... ela lhe diz: - É a pergunta que nos impulsiona, Neo. Foi a pergunta que te trouxe aqui. Você conhece a pergunta assim como eu. E ele: - O que é a Matrix?. Em seguida, a jovem conclui: - Sim, a resposta está aí. Ela está à sua procura. E te encontrará se você desejar.
Mas e a relação desta passagem com a filosofia?
Parafraseando Platão, podermos dizer que a realidade não é o que alguns apregoam que ela é. A realidade é virtual, é Matrix.
Referência :
Heraldo Aparecido Silva, professor de filosofia e vice-presidente do Centro de Estudos em Filosofia Americana/
https://omelete.uol.com.br/filmes/artigo/imatrixi-e-a-filosofia/
Matrix - Contribuições filosóficas
Em 1999, o cinema americano produziu Matrix (The Matrix, EUA, 1999), um filme, originalmente subestimado, que arregimentou milhares de admiradores no mundo todo e logo se transformou em uma referência para outras produções cinematográficas.
Comparação entre o filme Matrix e a filosofia grega de Sócrates e Platão.
O filme praticamente começa com a pergunta o que é Matrix? Alguém aí se lembra do diálogo entre Trinity e Neo? Então... ela lhe diz: - É a pergunta que nos impulsiona, Neo. Foi a pergunta que te trouxe aqui. Você conhece a pergunta assim como eu. E ele: - O que é a Matrix?. Em seguida, a jovem conclui: - Sim, a resposta está aí. Ela está à sua procura. E te encontrará se você desejar.
Mas e a relação desta passagem com a filosofia?
Bem, a filosofia ocidental (o pensamento crítico) surgiu na Grécia Antiga, por volta do século VI a. C., como uma alternativa ao mito (o pensamento ingênuo); ela começa através da pergunta o que é a realidade?
Platão exemplifica suas ideias sobre filosofia, política e realidade a partir da dramática alegoria da caverna sobre um grupo de prisioneiros confinados, desde o seu nascimento, no interior de uma caverna. Estão acorrentados de uma tal maneira que só conseguem olhar para frente e tudo que veem são sombras na parede. Tais sombras são projetadas pela escassa iluminação fornecida por uma fogueira que arde atrás deles. Entre a fogueira e os prisioneiros, há uma passagem ascendente para fora da caverna e através da qual diversas pessoas entram e saem, fazendo com que os prisioneiros vejam variadas formas de sombras e ouçam o eco das vozes dos transeuntes. Em seguida, Platão afirma que um dos prisioneiros, após árdua luta, consegue se libertar das correntes e fugir. Assim, pela primeira vez, o ex prisioneiro, pode contemplar algo além daquilo ao qual estava habituado. Mais do que meras sombras, ele vê a fogueira, os outros prisioneiros, a passagem ascendente e tudo o mais no interior da caverna. Depois, quando sai e atinge o mundo exterior, além de descobrir a existência de muitas outras coisas, é ofuscado por uma luminosidade ainda maior do que a da fogueira: a do Sol. Atordoado, ele retorna à caverna em busca de refúgio e, também, para relatar o ocorrido aos seus antigos companheiros - estes por sua vez, não creem na voz dissonante do fugitivo e se recusam a serem libertados para compartilhar da mesma ‘experiência’. Em contrapartida, os prisioneiros também não conseguem convencer o fugitivo de seu suposto devaneio. Assim, terminam por silenciar, hostilizar e matar o pária fugitivo.
No filme, Morpheus alerta Neo, no programa de treinamento (após ele se distrair com a Mulher de Vermelho que, num piscar de olhos, dá lugar a um agente letal), que qualquer um em Matrix é um agente em potencial.
Se considerarmos a linguagem metafísica e dualista de Platão (luz/sombra, ciência/opinião, essência/aparência), podemos afirmar que os prisioneiros são a humanidade ignorante - no sentido de não saber, não conhecer. Em Matrix, eles são representados pela humanidade prisioneira das máquinas tiranas.
As correntes que os retém são os hábitos retrógrados e nocivos (os vícios, opostos da virtude) que, se não impede, ao menos dificulta o acesso ao conhecimento. Em Matrix, as correntes também são nossos pseudoprazeres, a rotina e ilusão de realidade, resultado da simulação neurointerativa.
Uma vez que as sombras são as únicas coisas que os prisioneiros veem - não possuem outros referenciais - é natural que acreditem nelas como sendo a própria realidade - quando na verdade não são. Em Matrix, se você está sonhando e não percebe como pode saber que tudo aquilo não é realidade? - Acorde, Neo. (...) Siga o coelho branco.
O fugitivo representa o filósofo, aquele que tem acesso à luz - ao conhecimento. Em Matrix: é o que desconfia que esteja vivendo uma ilusão, como Neo.
O percurso até o conhecimento é ascendente e íngreme, assim como a passagem que une o interior ao exterior da caverna. Da mesma forma que a visão necessita de tempo para, de forma gradativa, assimilar as mudanças de tons claros e escuros a que são submetidos os objetos quando passamos das luzes às trevas e vice-versa; a compreensão e a aprendizagem demandam tempo, requerem um período para adaptação. Em Matrix recorde o difícil processo de readaptação pela qual Neo e todos os outros antes dele tiveram de se submeter.
A missão do filósofo (e de Neo ou de qualquer um que se livre do controle de Matrix, conforme esta interpretação) é conhecer a verdadeira realidade (sair da Matrix), regressar à caverna - lugar obscuro, pleno de crenças, aparências e superstições - (voltar à Matrix) e instruir os demais (em Matrix: libertar todos). Tarefa nada fácil, já que as ideias retrógradas são predominantes e costumam condenar, de modo prévio, todo ineditismo (em Matrix: não resista, esqueça, se submeta para não precisar ser eliminado).
Parafraseando Platão, podermos dizer que a realidade não é o que alguns apregoam que ela é. A realidade é virtual, é Matrix.
Referência :
Heraldo Aparecido Silva, professor de filosofia e vice-presidente do Centro de Estudos em Filosofia Americana/
https://omelete.uol.com.br/filmes/artigo/imatrixi-e-a-filosofia/
22/03/2015
"Reificação" [?] - Instrumentalizar: a matança em série do pensar reflexivo
Que
tempos são esses onde a reflexão caminha a tornar-se reflexiva? São tempos da
reflexão pedagógica, antropológica, científica? São todos ou nenhum? Ou outro
algum?
São
tempos.
É tempo. E, são sempre as mesmas questões.
O
professor de filosofia, em seu mundo sísifico,
continua a rolar seu peso dividido entre o mundo pedagógico e um ideal
metodológico para que possa oferecer condições que facilitem o aprendizado
formativo. Pobre deste, pois não sabe quais são os fins pedagógicos do ensino
da disciplina que elegeu para pesquisar.
Descobre-se
impotente diante das adversidades pessoais e leva em conta seus ideais,
esquecendo – muitas vezes – o porquê dessa escolha.
Num
primeiro momento, é oportuno enfatizar que – ao escolher professar, quaisquer
que sejam as disciplinas, é preciso desprender, anular-se, tornar-se outro.
Esvaziar-se. Só então poderemos compreender a importância da não
instrumentalização da filosofia como disciplina escolar, a não doutrinação dos
pensantes.
O
professor, aquele – preso a um ponto de vista, faz com que seus alunos
continuem a repetir o que seria “politicamente correto”, aceitável, sem ao
menos permitir qualquer atitude crítica que possa vir a surgir. Não queremos
tais educadores em nossas escolas. Já temos, em grande parte, nos colegiados
governamentais. Não formam opiniões. Coagem - as.
É
necessário desconfiar da instrumentalização da disciplina de filosofia na sala
de aula, uma vez que não estamos formando pensantes fenecidos, mas estudantes
competentes, com uma visão autêntica de realidade, sem que o mesmo repita
ideias prontas, mas que tenhas as próprias. É necessário autonomia pensante,
nada mais de repetição de fórmulas – ou mesmo teses filosóficas prontas, ideais
econômicos pré estabelecidos, alcançando o que o texto menciona como “autonomia
do pensar crítico”.
É
preciso práxis e a inaptidão do professor em dispor-se a esse labor, torna a
“real” formação dos jovens cada dia mais longínquo.
Não
devemos esquecer que somos guias, formadores de opinião e que somos nós quem
lançamos o fruto da repetição de ideias prontas. Ideias implantadas por nós
através do ato de educar (explicitamente falando).
É
preciso estudo, prudência e, sobretudo, desvencilhar do pronto, do acabado.
Assim, estaremos prontos a estimular e oportunizar competências para que, num
futuro próximo, alcancemos certa autonomia intelectual por parte de nossos
alunos.
21/03/2015
Jürgem Habermas - 1929
Apesar
da enorme complexidade do pensamento de Habermas, é possível descobrir algumas
constantes:
1. Ao longo da sua vastíssima obra, tem procurado de criar uma teoria crítica social que assente numa teoria da sociedade.
2. Assumindo-se como um dos defensores da modernidade, procura igualmente criar uma teoria da razão que inclua “teoria e prática”, o mesmo é dizer: uma teoria que seja ao mesmo tempo justificativa e explicativa.
3. A noção de interesse é nuclear no seu pensamento. Habermas parte do pressuposto que todo o conhecimento é induzido ou dirigido por interesses. Mas ao contrário de Marx não o reduz o conhecimento à esfera da produção, onde seria convertido em ideologia. Nem reduz os conflitos de interesses à luta de classes. A sua noção de interesse é muito ampla. Os interesses surgem de problemas que a humanidade enfrenta e a que tem que dar resposta. Os interesses são estruturados por processos de aprendizagem e compreensão mútua. É neste contexto que Habermas afirma o princípio da racionalidade dos interesses. Distingue três grandes tipos de interesses, segundo uma hierarquia algo peculiar: a) técnicos; b) comunicativos; c) emancipatórios.
Os interesses técnicos surgem do desejo de domínio e controlo da natureza. Trata-se de interesses técnicos na medida em que a tecnologia se apoia ou está ligada à ciência. Todo conhecimento científico enquadra-se nesta esfera de interesses.
Os interesses comunicativos levam os membros duma sociedade a entenderem-se (e às vezes a não entenderem-se) com outros membros da mesma da mesma comunidade, o que origina entendimentos e desentendimentos entre as várias comunidades. Nesta esfera de interesses estão as chamadas ciências do espírito (ciências humanísticas, culturais, etc.)
Os interesses emancipatórios ou libertadores estão ligados à autorreflexão que permite estabelecer modos de comunicação entre os homens tornando razoáveis as suas interpretações. Estes interesses estão ligados à reflexão, às ciências críticas (teorias sociais), e pelo menos em parte, ao pensamento filosófico. Esta autorreflexão pode converter-se numa ciência, como ocorre com a psicanálise e a crítica das ideologias, mas uma ciência que é capaz transformar as outras ciências. O interesse emancipatório resulta de ser um interesse justificador, explicativo enquanto justificador.
4.A autorreflexão individual é inseparável da educação social, e ambas são aspectos de emancipação social e humana. As decisões (práticas) são encaradas como atos racionais, onde não é possível separar a teoria da prática.
5. Todo o seu pensamento aponta, assim, para uma autorreflexão do espécie humana, cuja história natural nos vai dando conta dos níveis de racionalidade que a mesma atinge.
1. Ao longo da sua vastíssima obra, tem procurado de criar uma teoria crítica social que assente numa teoria da sociedade.
2. Assumindo-se como um dos defensores da modernidade, procura igualmente criar uma teoria da razão que inclua “teoria e prática”, o mesmo é dizer: uma teoria que seja ao mesmo tempo justificativa e explicativa.
3. A noção de interesse é nuclear no seu pensamento. Habermas parte do pressuposto que todo o conhecimento é induzido ou dirigido por interesses. Mas ao contrário de Marx não o reduz o conhecimento à esfera da produção, onde seria convertido em ideologia. Nem reduz os conflitos de interesses à luta de classes. A sua noção de interesse é muito ampla. Os interesses surgem de problemas que a humanidade enfrenta e a que tem que dar resposta. Os interesses são estruturados por processos de aprendizagem e compreensão mútua. É neste contexto que Habermas afirma o princípio da racionalidade dos interesses. Distingue três grandes tipos de interesses, segundo uma hierarquia algo peculiar: a) técnicos; b) comunicativos; c) emancipatórios.
Os interesses técnicos surgem do desejo de domínio e controlo da natureza. Trata-se de interesses técnicos na medida em que a tecnologia se apoia ou está ligada à ciência. Todo conhecimento científico enquadra-se nesta esfera de interesses.
Os interesses comunicativos levam os membros duma sociedade a entenderem-se (e às vezes a não entenderem-se) com outros membros da mesma da mesma comunidade, o que origina entendimentos e desentendimentos entre as várias comunidades. Nesta esfera de interesses estão as chamadas ciências do espírito (ciências humanísticas, culturais, etc.)
Os interesses emancipatórios ou libertadores estão ligados à autorreflexão que permite estabelecer modos de comunicação entre os homens tornando razoáveis as suas interpretações. Estes interesses estão ligados à reflexão, às ciências críticas (teorias sociais), e pelo menos em parte, ao pensamento filosófico. Esta autorreflexão pode converter-se numa ciência, como ocorre com a psicanálise e a crítica das ideologias, mas uma ciência que é capaz transformar as outras ciências. O interesse emancipatório resulta de ser um interesse justificador, explicativo enquanto justificador.
4.A autorreflexão individual é inseparável da educação social, e ambas são aspectos de emancipação social e humana. As decisões (práticas) são encaradas como atos racionais, onde não é possível separar a teoria da prática.
5. Todo o seu pensamento aponta, assim, para uma autorreflexão do espécie humana, cuja história natural nos vai dando conta dos níveis de racionalidade que a mesma atinge.
28/02/2015
Por uma forma [ação] menos precária.
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Entendemos que o
conceito de Cultura também é
“atribuição de significados que damos ao mundo e a nós mesmos, é oportunidade
de prazer, autorreconhecimento e autoprodução”. Alcançamos com isso que o
espaço para o estímulo e formação desses caracteres é a escola e toda sua
sistematização.
Será?
Se a Educação
hoje é direcionada a produzir, fazendo com que mais e mais indivíduos (?) se
ajoelhem diante da TV, teremos, num futuro próximo – se é que não ainda, a
alienação total da sensibilidade humana. Parcial ela já o é. Controle.
Adestramento, já que não vemos (ou vemos de forma velada) a preparação dos
jovens frente a uma efetiva formação artística no âmbito escolar.
Por “formação
artística” entendo principalmente o enriquecimento da nossa visão de mundo
através da sensibilidade, o exercício da percepção que impetra uma dimensão
criativa da realidade. Um real aprimoramento sensível do Ser. Se “ler textos
filosóficos de forma significativa, de diferentes estruturas e registros”,
necessita de determinada mentalidade “receptora”, então a Arte – de modo
significativo, contribuirá para que essa leitura
alcance tal objetivo. A arte não mostra as possibilidades do real, não aciona
nossa imaginação? Não é através dela – também – que nos humanizamos?
É preciso
repensar, pois, a formação dos estudantes diante da realidade vivenciada na
rede pública de ensino. Estamos nos distanciando de nossa capacidade produtiva em
função de nossa precária experiência escolar no quesito “sensibilidade”. Como
parâmetro, podemos citar as atrocidades e ruídos musicais ganhando notoriedade,
a cultura de massa cada dia mais intensa frente aos alienados pela insensibilidade
(ao que Kant concebe como gosto – capacidade de julgamento), um total
empobrecimento criativo e perceptivo.
A escola como sistema emancipatório (?)
não propicia um questionamento eficaz, já que, somente nas séries iniciais do
Ensino Médio o estudante apreciará a disciplina Filosofia. E antes? Fazemos o
quê?
Quantas vezes o pensador sairá da caverna e morrerá
pelos insanos por alegar a verdade da luz? Quantas mais? O ensino de Filosofia
fará tal resgate?
O que dizer da
formação inicial do estudante nesse parâmetro? Precária, seria sutil. Deixar
que o ensino filosófico restaure essas lacunas?
Sabemos que o
Homem sempre questionou temas como origem e fim do universo, causas sobre as
coisas e seres, natureza, busca por repostas metafísicas, epistêmicas,
científicas etc. Essa busca de um conhecimento que
transcende a realidade imediata constitui a essência do pensamento filosófico,
que ao longo da história percorreu os mais variados caminhos, seguiu interesses
diversos, elaborou muitos métodos de reflexão e chegou a várias conclusões, em
diferentes sistemas filosóficos.
Referências:
MARTINS,
profª Dra. Maria Helena Pires. O ensino
de filosofia da Arte ou Estética. UFSCAR, 2015.
Bóson de Higs (por Marcelo Gleiser)
Furto da sensibilidade: breve consideração
A Indústria cultural tem como objetivo “roubar”
a capacidade reflexiva do sujeito, tornando-o incapaz de contemplar a obra de
arte não fazendo distinção entre arte e produto de consumo.
Há um sistema de dominação
que condiciona o gosto e inibe a capacidade crítica e reflexiva fazendo com que
a obra de arte perca sua integralidade, passando ser conhecida como clichê, chavão
de comercial, ou seja, fragmento solto, perdendo sua essência artística.
Ultrapassando de longe o teatro de
ilusões, o filme não deixa mais à fantasia e ao pensamento dos espectadores
nenhuma dimensão na qual estes possam, sem perder o fio, passear e divagar no
quadro da obra fílmica permanecendo, no entanto, livres do controle de seus
dados exatos, e é assim precisamente que o filme adestra o espectador entregue
a ele para se identificar imediatamente com a realidade. Atualmente, a atrofia
da imaginação e da espontaneidade do consumidor cultural não precisa ser
reduzida a mecanismos psicológicos. Os próprios produtos (...) paralisam essas
capacidade em virtude de sua própria constituição objetiva (ADORNO & HORKHEIMER, 1997:119).
Assim,
a intenção da Indústria Cultural é obscurecer
a percepção de todas as pessoas, principalmente daqueles que são formadores de
opinião. Ela é a própria ideologia. Os valores passam a ser regidos por ela.
Até mesmo a felicidade do individuo é influenciada e condicionada por essa
cultura Levando o individuo a não ter opinião própria desenvolvida repetindo o que lhe é imposto.
Referências bibliográficas:
06/04/2014
Sequência Fibonacci
O que é a sequência de Fibonacci?
É uma sucessão de números que, misteriosamente, aparece em muitos fenômenos da natureza. Descrita no final do século XII pelo italiano Leonardo Fibonacci, ela é infinita e começa com 0 e 1. Os números seguintes são sempre a soma dos dois números anteriores. Portanto, depois de 0 e 1, vêm 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34…
Ao transformar esses números em quadrados e dispô-los de maneira geométrica, é possível traçar uma espiral perfeita, que também aparece em diversos organismos vivos. Outra curiosidade é que os termos da sequência também estabelecem a chamada “proporção áurea”, muito usada na arte, na arquitetura e no design por ser considerada agradável aos olhos. Seu valor é de 1,618 e, quanto mais você avança na sequência de Fibonacci, mais a divisão entre um termo e seu antecessor se aproxima desse número.
Exemplos na natureza em que a sequência ou a espiral de Fibonacci aparece:
CONCHA DO CARAMUJO= Cada novo pedacinho tem a dimensão da somados dois antecessores
CAMALEÃO = Contraído, seu rabo é uma das representações mais perfeitas da espiral de Fibonacci
ELEFANTE = Se suas presas de marfim crescessem sem parar, ao final do processo, adivinhe qual seria o formato?
GIRASSOL = Suas sementes preenchem o miolo dispostas em dois conjuntos de espirais: geralmente, 21 no sentido horário e 34 no anti-horário
PINHA = As sementes crescem e se organizam em duas espirais que lembram a de Fibonacci: oito irradiando no sentido horário e 13 no anti-horário
POEMA CONTADINHO = Acharam o “número de ouro” até na razão entre as estrofes maiores e menores da Ilíada, épico de Homero sobre os últimos dias da Guerra de Troia
A BELEZA DESCRITA EM NÚMEROS = A “Proporção de ouro” aparece tanto em seres vivos quanto em criações humanas. Na matemática, a razão dourada é representada pela letra grega phi: φ
PARTENON = Os gregos já conheciam a proporção, embora não a fórmula para defini-la. A largura e a altura da fachada deste templo do século V a.C. estão na proporção de 1 para 1,618
ARTES = Esse recurso matemático também foi uma das principais marcas do Renascimento. A Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, usa a razão na relação entre tronco e cabeça e entre elementos do rosto
AS GRANDES PIRÂMIDES
Mais um mistério: cada bloco é 1,618 vezes maior que o bloco do nível imediatamente acima. Em algumas, as câmaras internas têm comprimento 1,618 vezes maior que sua largura
OBJETOS DO COTIDIANO
Vários formatos de cartão de crédito já foram testados. O que se sagrou favorito do público têm laterais na razão de ouro. Fotos e jornais também costumam adotá-la
ROSTO = Dizem que, nas faces consideradas mais harmoniosas, a divisão da distância entre o centro da boca e o “terceiro olho” pela distância entre esse ponto e uma das pupilas bate no 1,618
CORPO = Se um humano “mediano” dividir sua altura pela distância entre o umbigo e a cabeça, o resultado será algo em torno de 1,618
MÃOS = Com exceção do dedão, em todos os outros dedos as articulações se relacionam na razão áurea
FONTE: Roberto Jamal, professor do cursinho Anglo, Claudio Possani, professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP, e livro Do Not Open, vários autores.
Tempo: Agostinho e Bergson (parte III)
O período que compreende o final do
século XIX e o começo do século XX é marcado pelo positivismo e pelo
cientificismo; as ciências particulares deveriam seguir o paradigma das
ciências positivas, cujo modelo era a física e assim trabalhar com dados empíricos
e mensuráveis submetidos à lei de causalidade.
O
filósofo Henri Bergson (1859 – 1941) é um crítico dos pressupostos filosóficos
da ciência de sua época, particularmente, da psicologia e da biologia.
Bergson
busca construir uma metafísica que não ignora a realidade de fato. Compreende
que o primeiro acesso a essa realidade é a vida interior, constituída por nossa
psique; assim, volta seu olhar a esse acesso privilegiado, buscando compreender
sua natureza, antes de buscar investigar a realidade tida como exterior.
Descobre que essa vida interior é de natureza
temporal: o tempo, enquanto duração é a essência da vida psíquica. Todavia,
não é assim que, no geral, a psicologia de seu tempo a entendeu; marcada pelo
determinismo psicofísico, acabou por não reconhecer a verdadeira natureza
psíquica, entendendo-a como sendo de natureza espacial.
No
início do século XX, quanto mais complexa tornava-se a organização da vida
sobre o planeta, maior era a necessidade de que esse tempo fosse único e
sincronizado.
Num passo adiante das necessidades cotidianas,
A. Einstein (1879 - 1955) percebeu que esse tempo único era múltiplo, que sua
medida dependia do observador. Bergson não rejeitou a relatividade. Ao
contrário, percebeu na linguagem simbólica da teoria algo ressonante com sua
própria filosofia e reconheceu o valor científico desta criação da inteligência
humana, mas uma observação feita pelo filósofo francês em 1922 procurou mostrar
o que há de intuição na inteligência e o que há de duração no tempo da relatividade.
Infelizmente,
a questão bergsoniana foi ofuscada pelo mito de Einstein.
Desde
o começo de suas investigações, Bergson procurou o que está ausente na
filosofia: a precisão. Surpreendeu-se ao constatar que tanto a física quanto a
matemática não se ocupavam do “tempo real”; o tempo que elas tratavam era um
tempo que não servia para nada (...), não fazia nada. (Ensaio de 1930, ”Le possible et le réel”); mas se a
física e a matemática não se ocupavam do tempo real, de que tempo se ocupavam? Numa
concepção abstrata do tempo, os fenômenos que se sucedem no mundo físico seguem
uma ordem constante e intemporal, em que a distinção do passado, presente e
futuro parece ilusória. Trata-se de um tempo no qual a mesma causa sempre
produz o mesmo efeito e é isso que torna possível o estabelecimento de leis que
permitem a previsão, ao cálculo antecipado dos fenômenos futuros que preexistem
de certa forma à sua realização.
Bergson
explica como se processa a “confusão entre tempo e espaço”, quando exprimimos a
duração pela extensão, e a sucessão toma para nós a forma de uma linha
contínua, ou de uma cadeia, cujas partes se tocam sem se penetrar.
Assim,
quando definimos o tempo desta forma estamos definindo na realidade, o espaço e
a verdadeira duração..
Bergson
vê o tempo real como heterogêneo e qualitativo.
Tempo é mudança essencial e
contínua, passa incessantemente modificando tudo e constitui a própria essência
da realidade psíquica.
Tempo: Agostinho e Bergson (parte II)
O tempo da
história, que denominamos “imaginário” (psicológico), depende do tempo real
(cronológico) - que não é
outro senão o tempo que o relógio assinala -
é a maneira pela qual o tempo é subjetivamente vivenciado pelos indivíduos.
O
tempo é, e sempre tem sido um problema filosófico de grande interesse, não só
para filósofos e cientistas, mas também para o indivíduo comum, que está
acostumado a organizar e realizar suas tarefas e experiências de acordo com a ideia de tempo concebida como sucessão de instantes traduzida em presente,
passado e futuro.
Santo
Agostinho (354-430) foi um dos grandes pensadores a se preocupar com esta
problemática. A reflexão filosófica agostiniana sobre o tempo encontrada no
Livro XI da obra Confissões defronta-se
com algumas dificuldades principais ao falar sobre o tempo pois não podemos apreendê-lo
- ele nos escapa – assim como não conseguimos medi-lo. E também não podemos
percebê-lo; diz-nos Agostinho em Confissões:
Que
é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? Quem o poderá
apreender, mesmo só com o pensamento, para depois nos traduzir por palavras o
seu conceito? E que assunto mais familiar e mais batido nas nossas conversas do
que o tempo? Quando dele falamos, compreendemos o que dizemos. Compreendemos
também o que nos dizem quando dele nos falam. O que é, por conseguinte, o
tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a
pergunta, já não sei. (CONFISSÕES, livro XI, cap.14, p. 322)
Nossa
percepção do tempo permite dividi-lo em três partes: passado, presente e
futuro. E, a partir de nossa experiência, sabemos que esses três tempos são
bastante distintos entre si.
Santo Agostinho entende que existe
outra maneira de pensar o tempo sem ser em termos espaciais, mas a partir de
outro elemento que é a linguagem, a fala; continuamos pensando o tempo, mas sem
a tentativa de explicar a sua essência. Podemos tentar apreendê-lo a partir de
nossas práticas linguísticas, porque a linguagem adquire sentido a partir do
tempo. Em outras palavras, a linguagem articula o tempo e o tempo articula a
própria linguagem; conclui o bispo: Pensar
o tempo
significa, portanto, a obrigação de pensar na linguagem que o diz e que nele se
diz.
Para o bispo de Hipona, os tempos são três: presente das
coisas passadas, presente das coisas presentes, presente das coisas futuras. O
passado é o tempo que se afasta de nós, de nossa consciência, de nossa
percepção; é tudo que já não é mais palpável, simplesmente porque já se foi. O
presente é o “agora”, o tempo em que nossas experiências acontecem, no momento
em que ocorrem. E o futuro, por sua vez, corresponde ao conjunto de todos os
eventos que se concretizam na medida em que o tempo passa.
Para Agostinho, fora da criação existe
somente a eternidade de Deus, que consiste na imutabilidade, na ausência de
tempo.
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